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Nada Temas!

Um espaço de liberdade em permanente atualização.

Nada Temas!

Trabalho ou confinamento, qual a maior prisão?

22.02.21

O medo pode conduzir à incapacidade de colocar os direitos de outros seres humanos em perspetiva. Dizemos de outros e não de nós próprios, porque acreditamos que “nós” seremos sempre capazes de fazer o que é certo, exceto se formos obrigados a agir de outro modo.

Neste último ano chegámos a um nível crítico na escala do medo, não só devido à iminência da morte, mas também pelo facto de vivermos um fenómeno transversal.

Apesar de termos começado com o típico exercício de desresponsabilização e alheamento através da xenofobia sistémica - era tudo uma invenção dos maquiavélicos chineses, começando por alastrar na Europa com os inconscientes italianos, tendo chegado a Portugal por via dos ignorantes nortenhos, até que no final de 2020 apareceu a maldita variante britânica – acabámos com a inevitável conclusão de que nos "tocou a todos".

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Uma pausa neste momento para esclarecer a nossa perspetiva desta expressão - nada toca a todos enquanto universalidade, não alinhamos no discurso de que a COVID19 mata por igual, porque não temos todos a mesma história social, médica (quer no acesso, quer no regular acompanhamento de problemas de saúde) e financeira. O toca a todos diz apenas respeito à questão biológica da espécie.

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E quando toca a todos, todos somos vítimas. Mas, se assim é, quem são os culpados? Na realidade, não há culpados, pelo menos no que respeita à transmissibilidade, exceto naturalmente o próprio vírus. No entanto, ultimamente querem-nos fazer crer que os culpados somos todos nós. E porquê? Por causa do maldito medo.

Os estigmas são terríveis e inevitáveis em doenças transmissíveis entre seres humanos, mas nesta pandemia assistimos a um fenómeno duplamente interessante: não só as pessoas se viraram umas contra as outras, como já é habitual, como também aqueles que são eleitos para encontrar soluções se voltaram contra os cidadãos.

Passamos os dias de dedo em riste, criticando, rezingando e repreendendo comportamentos de outros, com notas de gravidade e intolerância que nos parecem desproporcionais. Exemplificando, há uns dias o jornalista Pedro Mourinho, noticiou uma festa num bar com expressões que faziam lembrar Artur Albarran com o seu “o drama, o horror, a tragédia”, alertando os mais sensíveis para as imagens que se seguiriam, e que eram, nada mais nada menos, gravações amadoras de um grupo de pessoas a conversar e a dançar, numa tentativa de encontrar alguma alegria nos dias cinzentos em que vivemos.

Não estamos a desculpabilizar ninguém, mas gostaríamos de ver alguma razoabilidade e capacidade de análise sem o constante predomínio de uma perspetiva punitiva que parece estar instalada. Sugerimos que cada vez que tenham vontade de se insurgir contra um comportamento com o qual discordam por considerarem que o mesmo é de risco, pensem que o medo que motiva o vosso julgamento pode ser relativo.

Se acham que não, pensem no juízo crítico que é feito aos comportamentos de acordo com as eventuais necessidades. Distingue-se o “tem que ser” quanto à necessidade de ter durante um pico pandémico armazéns com centenas de pessoas a trabalhar para tratar de encomendas online, por exemplo, de produtos desportivos, cosméticos entre outros não essenciais, do “era deixá-los morrer” quando em causa estão pessoas que vão para uma avenida correr com os calções e com o perfume que compraram online e que vieram desses mesmos armazéns.

Ambos os casos podem originar consequências para a saúde publica, como resultado da circulação e da exposição individual, mas há uma tendência para qualificar como ilegítimo o segundo exemplo, considerando-o fútil, perigoso e até egoísta e catalogando-o de imediato como desnecessário. E, quando assim acontece, não se consegue entender (e tolerar) que outros o possam considerar necessário.

Que interessante seria se conseguíssemos saber se houve mais contágios em contexto de trabalho ou de lazer. 

A perceção dos factos está, para nós, toldada por um medo utilitarista e egocêntrico. Afinal, apenas aqueles cuja saída de casa confira uma utilidade, são agora livres de o fazer.

Tantos que não conseguem ver a óbvia utilidade de um passeio à beira mar para pessoas que passam a semana inteira fechadas em espaços com menos de 80m2, ou a necessidade de uns minutos de conversa num café para combater a solidão de quem está sozinho em casa.

Ou, pior, tantos que conseguem, mas que não validam porque deixam o medo vencer. E essa necessidade de validação alimenta a comunicação social e as redes sociais e até galvaniza os políticos nesta espécie de demência coletiva em que o doente é culpado pela doença.

Atenção, nós não estamos a apelar à irresponsabilidade, apenas queremos expressar a possibilidade de que na definição de atitudes socialmente responsáveis não tenham de existir verdades absolutas, como em tantas outras coisas.

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Ora, foi no meio de todo este fenónemo de medo e do conceito de utilidade que surgiu o novo panorama laboral.

A utilidade de alguém através do seu trabalho é, como já expressámos, um dos critérios para uma pessoa poder estar livre do confinamento. Sim, livre do confinamento, porque estar confinado não é uma forma de liberdade, é o seu preciso oposto.

Tem-nos surpreendido a tendência para entender que o confinamento é um caminho contra a pandemia. O confinamento é uma ferramenta pela inexistência de caminho. A vacina é um caminho, as regras de saúde pública são um caminho e outras medidas que poderiam ter sido tomadas seriam caminhos. O confinamento é a suspensão da vida, associada a uma mediática campanha contra a liberdade individual que apenas é útil para colmatar as falhas de quem existe para encontrar soluções.

Ainda assim, ficou claro que no ponto em que a evolução pandémica estava e pela prevalência justa do juízo científico, o confinamento foi uma necessidade. Mas nunca nos esqueçamos que há muitas variáveis no universo das necessidades humanas.

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E se quem tem que trabalhar poderá ficar livre de se confinar por essa via, esse facto não deixa de expor toda a fragilidade social associada e que tem tantas dimensões que nós nem nos atrevemos a abordá-las, por manifesta incapacidade. Mas há duas que nos saltam à vista e que foram o ponto de partida para todo o raciocínio que deu origem a este texto.

Por um lado, libertamos da “prisão domiciliária” (do confinamento) aqueles que são considerados essenciais para suprir necessidades como cuidados médicos, alimentação ou, pasme-se, todo e qualquer serviço de venda à distância independentemente da relevância do produto e da quantidade de pessoas envolvidas. Dividimos os cidadãos entre úteis e dispensáveis de acordo com a sua profissão e o setor de atividade. O Estado substitui-se à pessoa na definição das prioridades individuais para tentar preservar a saúde pública - não pela saúde em si, mas pela autopreservação das funções públicas de garantia da saúde. Mas, mais grave, o Estado assume que a possibilidade de contágio em alguns cidadãos não deve relevar quando pesada a sua pretensa utilidade. A esses a comunicação social e a classe política chamam de heróis. E os restantes? São apenas pessoas que ficaram desempregadas, foram dispensadas, foram suspensas em  processos de lay off, ou continuam a sua vida em regimes alternativos de prestação do trabalho. Mas, heróis ou não, todos têm em comum a falta de escolha nesta situação.

Por outro lado, fechamos em casa trabalhadores dando-lhes a sensação de que os estamos a libertar do perigo de contágio, através daquilo a que chamámos teletrabalho, mas que na realidade é um “desenrasque” que alterou por completo a organização familiar e que fez prevalecer os interesses laborais sobre a família e as responsabilidades parentais. Depois de anos a evoluir positivamente, nem uma pandemia foi suficiente para quebrar o preconceito bem presente nas decisões politicas, de que cuidar da casa e dos filhos não é uma forma de trabalho e, assim, sujeitaram-se milhares de casais à necessidade de negligenciar o cuidado com os filhos ou a entregá-los aos avós, mitigando os eventuais benefícios do confinamento, tudo porque se considerou normal estar em teletrabalho com as crianças em casa - algo que agora se quer resolver com dinheiro, porque também o Estado está viciado na lógica de pagar para resolver os problemas.

O trabalho tornou-se numa espécie de subsistema da gestão pandémica, que deixou expostos os sacrifícios que os governantes estavam dispostos a impor aos governados em nome do equilíbrio entre a economia e a vida. Pois é, ainda que haja na comunicação social e nas redes sociais quem tudo faça para criar um sentido de responsabilidade que leve a população a acreditar que a saúde pública está acima de todas as escolhas, a verdade é que esta é apenas um dos fatores a ponderar.

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Mas há uma pergunta que fazemos com uma enorme curiosidade: será a pós-normalidade capaz de derrotar – ou pelo menos começar a mitigar - o feudalismo empresarial português?

O poder de decisão dos empregadores nunca se deu bem com a regulamentação, que sempre foi considerada pelo lado patronal como uma castração da liberdade empresarial.

Na sociedade do “tens muita sorte em ter trabalho e do “se não queres há quem queira” um vírus levou os decisores políticos a impedir o constante e obsessivo controlo sobre os trabalhadores, a tornar obsoletas muitas chefias de empresas fortemente hierarquizadas (e até do Estado), a demonstrar que muita da ineficiência estava associada a métodos desajustados – e isto apenas pela implementação da obrigatoriedade do teletrabalho.

Imaginem o que acontecerá se começarmos a discutir novas formas de execução do trabalho que não se limitem a corresponder a vontades e a egos, muitas vezes de empregadores sem competências para gerir pessoas, ou a interesses meramente concorrenciais de associações empresariais nos seus esforços de angariação de associados.

Basta sermos capazes de defender para o trabalho o mesmo que passámos os últimos meses a defender para a saúde: deixem a ciência trabalhar. Deixem, por exemplo, os sociólogos, os economistas e os médicos discutir e implementar como melhorar a eficiência dos métodos, a razoabilidade dos objetivos e os valores inultrapassáveis da dignidade laboral. 

 

Rita e Pedro

Ronaldo, Cristina e os chavões do capitalismo mascarado de feminista

14.02.21

Nota introdutória:

Há uns meses, depois de ouvirmos, como é ritual semanal, o podcast “Um homem e Uma mulher”, com Rui Zink e Inês Pedrosa, iniciámos mais uma das nossas conversas sobre feminismo. Desta vez, as nossas discordâncias eram tantas quer entre nós, quer em relação aos “podcasters”, que resolvemos escrever-lhes, à boleia dos habituais pedidos de contacto aos ouvintes, com algumas perguntas.

Na passada semana, fomos surpreendidos com a resposta num programa em que abordaram o nosso contacto. Já tinhamos recebido um email de agradecimento e dando conta de que o tema seria abordado em breve, mas nunca pensámos que tivesse este destaque. A surpresa inicial foi natural para estes dois anónimos, que rapidamente fez crescer a frustração com o unilateralismo radiofónico, que não nos permitia intervir na conversa.

No entanto, ainda bem que assim foi. Era esse o impulso que faltava para arrancarmos com o nosso espaço “Nada Temas”, idealizado há alguns meses. Obrigado, por esse facto, Rui Zink e Inês Pedrosa!

Para melhor perceberem as palavras que se seguem aconselhamos que dediquem algum tempo a ouvir o  programa "Um Homem e Uma Mulher" de dia 29 de janeiro. Aliás, até o podem fazer regularmente, que mal não vos fará.

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É frequente vermos a liberdade financeira associada à ideia de emancipação feminina. Entre nós não há consenso quanto à efetiva força do dinheiro na liberdade individual, mas temos duas conclusões imediatas a partilhar:

Por uma lado, é óbvio que numa sociedade capitalista o dinheiro pode comprar a independência, mas nunca o respeito, independentemente do sexo, ou de qualquer outra condição.

Por outro, é impossível garantir que o sucesso financeiro tenha qualquer capacidade para influenciar a corrente machista dominante.

A liberdade financeira é claramente um dos fatores para uma completa emancipação. Mas devemos defendê-la como forma de empoderamento feminino? Não será esse um erro de um feminismo demasiado vinculado à sociedade capitalista?

É aflitiva a ideia de que uma mulher se possa considerar mais livre por ser financeiramente bem sucedida, em comparação com outra que é, por exemplo, muito mais pobre mas que tem aos seus ombros a subsistência de todo o agregado familiar. Ou até de uma desempregada que carrega o fardo dos cuidados de toda a casa e de todos os que lá vivem. Ou de uma outra que apenas carrega o “fardo” do gin tónico.

Sabemos que haverá sempre o comentário redutor “isso são coisas diferentes”, sempre acompanhado do “isso não tem nada a ver”. Mas o pior é que tem...

Porque mesmo que não queiram, os opostos servem sempre de desculpabilização, seja para a desigualdade, seja, nos casos mais graves, para a necessidade da mulher aguentar comportamentos indevidos, porque não tem para onde ir.

E se essa desculpabilização já mostra uma enorme crise de valores, maior se torna quando a relevância não é dada à liberdade conferida pelo dinheiro – que é lamentavelmente uma mera evidência dos tempos em que vivemos – mas quando é feita uma colagem deste à ideia de sucesso. Essa colagem é o engodo capitalista a funcionar.

A Cristina Ferreira é um sucesso, porque atinge todos os objetivos a que se propõe. E daí resultou a chegada a uma patamar onde é temida pelos que a querem derrubar, onde é invejada por quem queria o seu lugar e onde é desdenhada por quem a queria ter. E onde é admirada por muitos, mesmo muitos! Assim como também o é o Cristiano Ronaldo, quer no futebol, quer nos negócios.

Mas porque são sempre dados estes dois exemplos?

Na metade do manicómio redondo onde prolifera o capitalismo democrático os exemplos de sucesso são sempre homens e mulheres que chegaram ao topo do poder ou da finança. No fundo, bem sucedido no capitalismo democrático é aquele e/ou aquela que consegue chegar à elite.

E aqui entra a palavra que passamos a vida a evitar, mas que neste ponto é inevitável. Ser elite é, nesta sociedade em que vivemos, chegar ao ponto da opulência.

Nós conseguimos conceber que haja pessoas de sucesso cujas contas bancárias não correspondem ao seu mérito, mas apenas se formos confrontados com evidências claras da sua superioridade, seja pela vida de superação, pelo brilho intelectual, pela coragem, ou por qualquer outro critério, porque se tivermos que pensar de forma imediata na ideia de sucesso, então a colagem é quase instantânea ao dinheiro. E, pior, nem sempre entendemos os sacrifícios que as pessoas fazem se não tiverem contrapartida financeira clara e abundante!

(Para aqueles que estão a pensar que este raciocínio é disparatado, façam como nós e pensem num exemplo de pessoa portuguesa de sucesso. Vá, não vale dizer Cristiano Ronaldo e Cristina Ferreira.)

Por muito que custe, a nossa ideia de sucesso é o resultado de anos de colagem educacional e mediática ao dinheiro. Pois, estamos perdidos...

Na verdade, um homem desempregado merece o mesmo respeito da Cristina Ferreira, mesmo que tenha tido oportunidade para ser a Cristina Ferreira, mas tenha preferido passar o tempo do curso no bar da faculdade a jogar à “Sueca”.

Assim como uma mulher que passe 14 horas diárias fora de casa para trazer um salário mínimo, que corresponda ao único rendimento fixo do agregado familiar, é tão digna de ser considerada bem sucedida como o Cristiano Ronaldo.

Em suma, toda a ideia de que o respeito por alguém, seja na sua individualidade seja nos seus direitos, possa estar de algum modo vinculada à ideia de sucesso é em toda a medida uma estupidez (palavra cautelosamente escolhida).

Somos todos frutos de um conjunto de circunstâncias que moldam não só o nosso ponto de partida, mas principalmente o nosso ponto de chegada.

 

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O capitalismo na sua vertente de produção é cego nas distinções entre pessoas, apenas releva a capacidade de gerar mais dinheiro (seja homem, mulher, ou até máquina). Mas já vê um pouco melhor na componente social, onde com toda a facilidade fomenta a definição de grupos sociais bem distintos nos comportamentos e nas contas bancárias.

As elites querem criar um conceito de igualdade na sua camada social, aquele ”algo” especial, que os torna iguais entre si, mas acima dos restantes.

Como uma espécie de estabelecimento onde servem um café banal, mas com restrições à entrada. Ou pior, sem restrições à entrada, mas com o café banal a custar o preço de meia vitela e a ser servido por alguém que tirou um curso só para aprender a vestir a sua farda, para que aquele que o pede saiba, só pelo preço e pela pompa, se pertence ou não àquele lugar.

Mas, volta e meia, aparecem nesse estabelecimento jogadores de futebol que preferiram o Lamborghini ao MBA, ou apresentadoras de TV que adoram um bom investimento aliado a umas espalhafatosas gargalhadas. Pessoas que não nasceram elite, mas que chegaram lá porque fizeram escolhas acertadas dentro do jogo capitalista.

Estes amadores que se tornaram profissionais passaram a sentar-se na mesa “dos grandes”. Os seus nomes são marcas de sucesso.

 

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Parabenizar o sucesso profissional e financeiro da Cristina Ferreira não é parabenizar o sucesso da luta feminista. É parabenizar uma mulher na superação do jogo capitalista.

É uma mulher rica e bem sucedida? É!

Mas o seu dinheiro não lhe retirou a ditadura da imagem feminina, do estigma da subida horizontal, da especulação de que é apenas uma cara bonita cujos investimentos são escolhidos por alguém na retaguarda. O dinheiro não fez com que ela se tornasse imune à objetificação típica, agravada por ser uma figura pública.

O sucesso feminista da Cristina Ferreira não está no resultado, está no percurso e na forma de o percorrer. Está na pessoa e não na figura pública. Mesmo que ela não seja uma feminista, o seu percurso superou-a pelo caminho que percorreu, onde foi mais uma a jogar, a correr e a lutar. Foi igual, não foi mais nem foi menos. Foi igual.

Porque se vamos focar-nos no resultado, o que temos é o nascimento de mais uma opulenta capitalista. E, para nós, o poder libertador do dinheiro em demasia tem um lado oculto demasiado pesado, na capacidade de fazer outros seus reféns pela dependência e pela necessidade.

Outros e até os próprios. Mas isso já é outra história.

 

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Declaração de interesses:

Leigos nos confessamos no assunto e nele nos debruçamos por mera convicção, mas acreditamos que o feminismo é verdadeiramente interseccional. Não há um feminismo, há diferentes abordagens a uma multiplicidade de problemas e de realidades. Todas as mulheres exigem o respeito como critério de existência e todos os fatores diferenciadores das mulheres entre si mostram diferentes necessidades de abordar a mulher e o feminismo.

50% de nós é fã de Cristina Ferreira, por ser capaz de ser feminina, arrojada e acima de tudo por ser mulher. Porque uma mulher deve ser sempre admirada quando chega ao topo e não vendo mais degraus para subir decide construí-los com as suas próprias mãos. E aceitamos que essa admiração é o resultado de uma visão feminista viciada pela realidade urbana e inserida num meio de progressão pessoal e profissional em que fomos educados.

Mas - felizmente - o mundo não acaba em nós...

Rita e Pedro